Caso Banco Master: defesa de Vorcaro aposta na delação para buscar liberdade, mas STF deve manter prisão
- 3 de abr.
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A equipe de defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador e controlador do Banco Master, tem urgência em fechar um acordo de colaboração premiada com as autoridades. O objetivo declarado é conseguir, o mais rápido possível, um habeas corpus que tire o empresário da prisão preventiva em que se encontra desde o início de março de 2026. No entanto, segundo informações publicadas pelo portal Metrópoles, os próprios advogados avisaram Vorcaro de que as chances de um perdão total — mesmo após delatar —, são praticamente nulas.

O caso Banco Master se tornou um dos maiores escândalos financeiros e políticos do Brasil nos últimos anos. Vorcaro construiu uma instituição que captou cerca de R$ 50 bilhões de investidores, oferecendo CDBs com rendimentos acima da média do mercado. Parte desses recursos foi aplicada em ativos de baixa liquidez, como precatórios e empresas em dificuldade financeira. A Polícia Federal identificou indícios de emissão de títulos sem lastro, operações simuladas e ocultação de recursos por meio de empresas intermediárias.
Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação da instituição. No mesmo mês, Vorcaro foi preso pela PF no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai. Após ser solto com tornozeleira eletrônica, foi detido novamente em março de 2026, no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a venda de carteiras de crédito fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB). Desde então, cumpre prisão preventiva na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
A movimentação em direção à delação ganhou força após a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria para manter a prisão preventiva do banqueiro. Vorcaro então demitiu seu advogado anterior, que era contrário à colaboração, e contratou o criminalista José Luís Oliveira Lima, especialista em acordos de delação premiada. O empresário assinou um termo de confidencialidade com a PF e com a Procuradoria-Geral da República (PGR), dando o primeiro passo formal em direção ao acordo. Esta será a primeira vez no Brasil que as duas instituições conduzirão conjuntamente uma colaboração.
O peso da investigação é enorme. As apurações apontam indícios de corrupção de autoridades, lavagem de dinheiro, invasão de sistemas e até planos de intimidação contra jornalistas. Há suspeitas de que Vorcaro mantinha conexões com autoridades do Banco Central, do Congresso e do Judiciário. A PF realiza extração de dados dos celulares do banqueiro para mapear a dimensão dos crimes e identificar todos os envolvidos. Investigadores deixaram claro que não haverá espaço para uma delação seletiva que "poupe" determinadas figuras.
Apesar do esforço da defesa, especialistas alertam que a delação não garante liberdade automática. Segundo o advogado criminalista Alexandre Lourenço, o que ocorre, em caso de colaboração aprovada, é uma possível redução de pena em até dois terços ou, em situações excepcionais, o perdão judicial. A liberdade do colaborador depende de avaliação judicial caso a caso, levando em conta a necessidade da prisão preventiva e as condições estabelecidas no acordo.
A expectativa pela delação do dono do Master é grande, sobretudo após o vazamento de mensagens que expõem o relacionamento próximo entre Vorcaro e autoridades de diferentes poderes. O caso segue sendo um dos mais acompanhados do Brasil, com potencial de derrubar figuras políticas e institucional de alto perfil em diferentes espectros partidários.




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