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PF Investiga Passagem de Malas sem Fiscalização em Voo com Hugo Motta, Ciro Nogueira e Empresário das Bets

  • 28 de abr.
  • 2 min de leitura


A Polícia Federal abriu investigação para apurar se um auditor da Receita Federal cometeu os crimes de prevaricação e descaminho ao permitir que bagagens de um voo particular entrassem no Brasil sem serem submetidas à fiscalização aduaneira. O voo transportava o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e um empresário ligado ao mercado de apostas online.


Segundo a PF, o incidente ocorreu na noite de 20 de abril de 2025, quando a aeronave pousou no São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional, em São Roque, no interior paulista. De acordo com o relatório policial, cinco volumes trazidos pelo piloto José Jorge de Oliveira Júnior ingressaram no país sem passar pelo equipamento de raio-x, procedimento obrigatório para todos os passageiros internacionais.


O voo foi realizado em um jato particular pertencente a Fernando Oliveira Lima, conhecido como "Fernandinho OIG", apontado como operador de plataformas de apostas associadas ao chamado "jogo do tigrinho". Em novembro de 2024, ele foi convocado a depor na CPI das Bets, ocasião em que negou ser proprietário das plataformas investigadas.


Imagens de câmeras de segurança do aeroporto, analisadas pela Polícia Federal, registraram toda a sequência do desembarque suspeito. Às 21h32, o piloto passou normalmente pelo equipamento de raio-x com duas bagagens. Porém, por volta das 21h40, ele retornou ao setor com sete volumes — incluindo sacolas plásticas, caixas, um edredom, uma mala de viagem e uma mochila — e contornou o pórtico de detecção de metais sem submeter nenhum dos itens à inspeção.


Os registros indicam que o auditor fiscal Marco Antônio Canella acompanhou toda a movimentação e permitiu a passagem dos volumes sem a devida fiscalização. A corporação destacou, no entanto, que não é possível afirmar com certeza "a quem os volumes pertencem ou qual é o seu conteúdo".


Além de Motta e Nogueira, estavam a bordo da aeronave os deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), bem como o ex-vereador de Teresina Victor Linhares, apontado como alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga conexões entre o crime organizado e o setor de combustíveis.


Em nota enviada à imprensa, Hugo Motta afirmou ter cumprido "todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira" no momento do desembarque. O parlamentar também informou que "aguardará a manifestação da Procuradoria-Geral da República". O senador Ciro Nogueira e os demais citados não se manifestaram até o fechamento desta reportagem. O piloto José Jorge de Oliveira Júnior não foi localizado.


A presença de parlamentares com foro privilegiado levou o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em março deste ano, a juíza Carolina Castro Costa, da 1ª Vara Federal de Sorocaba, determinou a remessa dos autos ao STF, acolhendo parecer da procuradora da República Ana Flávia Nóbrega Cavalcanti Ugatti, que avaliou não ser possível descartar o envolvimento de autoridades nas condutas ilícitas investigadas. O ministro Alexandre de Moraes ficou responsável por definir se a Corte tem competência para julgar o caso, tendo pedido manifestação da Procuradoria-Geral da República na semana passada.

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