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Eduardo Bolsonaro desafia Moraes e pede intimação após abertura de inquérito no STF

  • 2 de abr.
  • 3 min de leitura

Em mais uma escalada de tensão entre o clã

Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro foi além das críticas habituais e lançou um desafio público ao ministro Alexandre de Moraes: que o intime formalmente no âmbito do inquérito aberto para investigar o suposto envio de um vídeo ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar.


O vídeo em questão foi gravado por Eduardo durante a Conferência da Ação Política Conservadora (CPAC), realizada nos Estados Unidos, onde o ex-parlamentar reside atualmente. A investigação, conduzida por Moraes, apura se o material chegou ao conhecimento do ex-presidente, que está proibido de acessar redes sociais por determinação judicial.


Desafio via carta rogatória

Com postura declaradamente combativa, Eduardo afirmou que não teme o processo e que, se Moraes tiver disposição, deveria enviar uma carta rogatória para os Estados Unidos. "Se Alexandre de Moraes tiver coragem de mandar uma carta rogatória para eu responder a esses factoides que ele faz sobre mim... Moraes, eu te desafio: mande uma carta rogatória para mim aqui nos Estados Unidos que eu te respondo ainda fazendo uma transmissão ao vivo", declarou o ex-parlamentar.


Eduardo também rebateu o que classificou como uma tentativa de intimidação por parte do magistrado. Segundo ele, o vídeo investigado está salvo em seu celular pessoal e nunca representou qualquer irregularidade. "O Alexandre de Moraes tem um fetiche comigo. Ele fica tentando fazer essas ordens para me intimidar", afirmou, negando qualquer descumprimento às restrições impostas ao pai.


Comparação com Flávio Bolsonaro e acusação de perseguição política

Para reforçar seu argumento, Eduardo Bolsonaro fez uma comparação com seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que também gravou um vídeo destinado ao pai e o publicou publicamente nas redes sociais sem sofrer qualquer investigação. "O Flávio Bolsonaro gravou um vídeo, postou nas suas redes sociais, disse que em algum momento mostraria para o Jair Bolsonaro e não teve problema nenhum. Por que quando eu faço, vira problema?", questionou Eduardo.


Na visão do ex-deputado, a diferença de tratamento revela uma estratégia deliberada do ministro para desacreditá-lo politicamente. "Ele quer pegar uma base de pessoas que não acompanham a política ou que sejam mais desinformadas para achar que o Eduardo Bolsonaro está causando dor de cabeça ao Jair. Ele quer me calar", disse.


Relatório americano e acusação de coleta ilegal de dados pessoais

O ponto mais contundente das declarações de Eduardo veio quando ele trouxe à tona o relatório recente divulgado pelo Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, que teria citado ações do ministro Moraes junto a plataformas digitais para obter dados pessoais seus. Para o ex-deputado, isso confirma que Moraes utiliza meios ilegítimos para investigá-lo.


"Eu quero que Alexandre de Moraes me intime. Eu quero que ele pare de ficar pedindo às plataformas, utilizando meios ilícitos para pegar meus dados pessoais, como explanou esse relatório da CCJ americana", afirmou Eduardo, reiterando o desafio ao magistrado e exigindo transparência sobre as informações coletadas a seu respeito.


Eduardo também levantou a hipótese de que, caso estivesse no Brasil, já teria a Polícia Federal na porta de sua casa para uma operação de "fishing expedition" — prática investigativa em que se apreende o celular de alguém na esperança de encontrar alguma irregularidade. "Ele pegaria o seu celular, tentaria entrar no seu WhatsApp, nas suas redes sociais, para ver se tem algum tipo de crime e depois ficaria vazando a conta-gotas para a imprensa para tentar te desgastar politicamente", concluiu.

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